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quinta-feira, agosto 25, 2016

Perdão & Reconciliação

Nada nos assemelha mais à Jesus Cristo, penso eu, que ter a atitude de perdoar às ofensas.

Provérbios 19:11
 A discrição do homem o torna longânimo, e sua glória é perdoar as injúrias.

Não a glória que exalta o homem, mas a que abate e humilha a condição de servo perante Deus.
Vale lembrar que o perdão tem muito mais a ver com você do que com a pessoa que o feriu. Óbvio que o perdão é libertador para o ofensor. É liberar da mesma graça e misericórdia que um dia você também recebeu. E Deus perdoou os meus piores pecados, todos os meus pecados. Foram os meus pecados que o colocou naquela cruz.
Jesus também nos instrui através da oração do Pai Nosso, que para sermos perdoados também precisamos perdoar. Mas isso deve ser feito de maneira sincera, e cá entre nós, humanamente falando é impossível. Queremos revidar, queremos vingança, desejamos o mal do outro. Remoemos o ocorrido. E cada vez que lembramos parece que nos fere com muito mais intensidade. (Eu sou muito intensa em tudo, imagina aí ! ) É quando começa a raíz de amargura, que traz um peso espiritual negativo, um fardo pesado demais, além do dano psicológico que acaba refletindo fisicamente como um câncer e tantas outras doenças. O que é já comprovado cientificamente. 
Perdoar é algo divino e espiritual, por isso só através dEle conseguimos. Como? 
Através da oração.
Orar pelos que nos ofendem e pelos nossos “inimigos”. Mesmo sem vontade. Pela fé. Rasgar o coração diante de Deus e dizer: "Pai eu quero perdoar, mas não consigo." Daqui a pouco aquele sentimento ruim vai embora, o ódio vai embora, relembrar já não dói mais e o que transborda em você é o amor, graça e a compaixão de Deus sobre nós para com o nosso ofensor. Sobre a reconciliação e voltar a caminhar juntos fica para outro post, até porque estou no processo.

Eu já senti raiva de muita gente, mas raiva dá e passa. Agora ódio mesmo?

(Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Não deis lugar ao diabo. Efésios 4:26,27  É o que acontece quando não liberamos o perdão, podemos nos irar, o pecado é o que fazemos dela. Só apaziguamos a ira quando perdoamos com a ajuda da oração, do contrário só vamos acumular mágoas e desenvolver a raíz de amargura no coração.)

1ª pessoa: Meu pai que foi sempre ausente no seu papel de protetor e provedor da família. Cresci num ambiente onde as agressões físicas e verbais faziam parte do cotidiano. Sempre, mas é sempre que alguém me trata com agressividade é como voltar no túnel do tempo. É como um transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) muito comum nos ex-combatentes de guerra. Que aliás também já foi comprovado, pessoas que sofrem agressões físicas e verbais tem o mesmo tipo de trauma.
Ou seja, acabo revivendo tudo do que todas as pessoas fizeram.
A 2ª pessoa:  foi um ex-namorado que tive aos 22 anos, também no ano que eu decidi que poderia fazer o que quisesse com a minha liberdade. (Ilusão quando não temos a Cristo como Senhor da nossa vida)
Vi ele fazer comigo o mesmo que meu pai fazia com a minha mãe, nas traições. Descobri na véspera de Natal. Nesse dia tomei uma garrafa de Sidra sozinha na casa de uma amiga. (risos)
Não houve agressão física ou verbal, mas houve quebra de confiança e muita covardia. Senti ódio. O resultado foi uma recaída:
Depressão pela segunda vez. Perdi 10Kg.  
Um mês depois fui dando os primeiros passos, voltei a trabalhar e entrei no curso de inglês, fiz novas amizades, mantive a minha mente ocupada.
Mas para ficar “bem mesmo”, levou cerca de dois anos. 
E Por quê?
Eu não havia liberado perdão.  
Eu não fiquei bem de fato, porque depois disso tive medo de me relacionar com as pessoas e comecei a me sabotar, afastá-las do meu convívio. Pessoas que perdi o desfrutar de suas amizades e compartilhar coisas boas. 
Tornei-me uma pessoa amarga, ressentida e com resposta na ponta da língua. Não levava desaforo pra casa. Ou seja, me tornei insuportável.

Onze anos depois, preste a ter a terceira recaída (depressão), Jesus me resgatou. (A razão, também foi por palavras que ouvi, palavras que reduziram-me ao nada, de uma pessoa do meu convívio, quase como uma irmã, a irmã que não tive.)

Não precisei de EBD pra tomar a iniciativa de pedir e liberar perdão. Algo havia mudado em mim. Sim, era e é o Espírito Santo em mim.
Para pedir e liberar perdão para o meu pai demorou um ano, mais tempo porque eu estava com vergonha, já o tinha perdoado quando nasci de novo. 
Aconteceu uma situação com ele da qual eu não poderia perder a oportunidade e fui. Houve choro, um abraço  e eu te amo.
Daquele dia por diante o meu pai passou a me ver com outros olhos. Esta atitude de perdão que tive amoleceu o seu coração de pedra. Para que um ano depois ele viesse também ser resgatado por Jesus Cristo.
Desses 31 anos de vida, passei quase duas décadas guardando mágoas das pessoas que me feriram.
Rancor, ressentimentos, sentimentos negativos, e acabei ficando presa a elas que continuaram suas vidas, mas eu não, eu fiquei estagnada no tempo em meio as minhas dores e ao meu vitimísmo que fez com que eu também machucasse as pessoas na mesma proporção que elas.

Seis anos depois da minha conversão, me vi sentindo ódio por uma pessoa por quem tenho tanto carinho e consideração. (Embora ele não tenha a mesma consideração e nem o mesmo carinho)

A 3ª pessoa: Ódio porque o meu ‘melhor amigo’ que sabia de toda a minha história acabou fazendo pior que todos eles. Justamente ele, que sabia dos meus traumas, do meu passado.  Ao meu ver, não teve consideração alguma por mim, penso até que só houve amizade da minha parte, não foi recíproco, pois às atitudes falaram mais alto que qualquer discurso ou promessa dita outrora.
Então aquela abraço que foi dito, aquele abraço que me daria como consolo por tudo que passei não aconteceu, houve apenas a  indiferença, foi o que recebi.
E isso me doeu bastante, muito mesmo. Passei uma semana chorando todos os dias. Lembrando das palavras ditas por indiretas nas redes sociais, e por algumas atitudes pessoalmente, massacrando assim a minha autoestima, me reduzindo a escória do mundo. Foi como me senti.

Sabe o estresse pós-traumático (TEPT)? Pois é...

(Sentimentos de ódio e falta de perdão nos leva a depressão. Eu por já ter um histórico, percebi os sintomas, uma amiga também percebeu, me ajudou e tem me ajudado).

Eu não vou negar que preciso de ajuda de um profissional (psicólogo) para tratar esses meus traumas. Assumo que preciso e vou. Na verdade já consegui, Graças à Deus.

O perdão foi liberado, pois aprendi e não quero ficar presa a ninguém,  do contrário, me tornaria assassina do meu irmão e acabaria por matá-lo na alma e a me matar também  por fazermos parte de um mesmo corpo.
Não! Eu tenho uma nova natureza e é esta que deve prevalecer.!!!
A natureza de Cristo em mim.
De fato a oração nos muda. E é responsável por 50% ou mais da nossa vida cristã. Sem ela, não prosseguimos. Ficamos estagnados.

Hoje essa pessoinha, esse ser umaninho,  (que me irrita) e que despertou a minha velha natureza, tudo o que sinto por ele é compaixão. (Mas posso sentir outras coisas se ficar remoendo tudo que vivi e não quero mais!) E só assim pude escrever a respeito desse assunto.

Nem mesmo desejo mais que Deus impute o mal que ele fez a mim. 
A vida dele já é uma prisão e ele não vive bem (eu sei porque já fui assim) e não desejo de coração que Deus faça justiça sobre a minha causa. (Não quero que ele carregue um fardo de culpa, mas desejo que reconheça que errou e tente mudar para o seu próprio bem, porque quando machuca pessoas assim, está sabotando a si mesmo. Jogando fora pessoas e amizades de verdade, posso falar da minha parte que fui verdadeira e ele não pode negar isso, apesar das falhas que cometi.)
Não tenho mais o desejo de vingança. 
Porque Deus não nos trata segundo os nossos pecados, tão pouco devo agir assim. 
Como filha, devo seguir o exemplo do Pai. Embora acredite que em algum momento todas essas coisas ele (o agressor) vai acabar colhendo, nem que seja para aprendizado e amadurecimento,  porque eu também colho o mal que pratico. E só amadureci no sofrimento. E preciso amadurecer mais.
Contudo, não é mais o meu desejo. 
Minhas orações é como Cristo ensinou. Compreendo que sou filha amada por Deus, apesar de mim e apesar dos pesares. Que Ele não me rejeita embora eu seja rejeitada, Ele não me ignora, embora eu seja ignorada, Ele não me trata segundo os meus pecados, embora eu seja julgada por eles. Não importa o que as pessoas dizem de mim, Ele continua me amando. Sobre a nossa amizade, eu preciso de um tempo para resguardar o coração, um tempo para que possamos pensar se vale a pena continuar, ele também terá que estar disposto a mudar e a buscar de verdade a mudança. Do contrário, tudo vai se repetir e não por mim, mas por causa dele mesmo que se maltrata, precisarei me afastar de vez até que ele seja salvo e restaurado por Deus.

Eu orei como ouvi outrora numa ministração:

"Deus eu não imaginei que hoje a noite eu ouviria tudo isso e que o teu dedo viria nas minhas feridas essa noite, mas eu quero me colocar diante de Ti, tirar essa minhas tralhas e meus trapos de vítima e me vestir como um filho(a) amado(a), eu quero trocar de roupa, eu quero cura, libertação, restauração, salvação, para poder olhar com dignidade de um filho e de um filha que o Senhor ama e olhar com dignidade, grandeza e pureza e principalmente para as pessoas que roubaram a minha alegria ou para aquelas que durante muito tempo roubaram a minha alegria.

(Eu já fiz isso com alguém, eu já roubei a alegria de pessoas.) 
Eu queria dizer pra você uma coisa:

Você também é um filho(a) amado (a) de Deus. E você, a sua própria maneira também é vítima. 
Mas tire os farrapos de vítima e assuma uma posição de eu quero ser como Cristo na vida dessas pessoas, as que me feriram ou as que eu feri. Eu quero servir.

Peço a Deus que a misericórdia encontre essas pessoas. Peço a Deus que nos faça curadores. O amor não pratica o mal contra o próximo. Abençoem aqueles que os perseguem.
Não retribuam a alguém mal por mal. Deixe com Deus a ira, pois dEle é a vingança.
Vençam o mal com o bem.
Que o bem triunfe em nós. 
Pai querido, nós te buscamos e te pedimos perdão pelas vezes que fomos as pessoas que roubamos a alegria de outras pessoas. 
E trazemos os nossos corações diante de Ti, com a nossa alegria roubada por aqueles que nos usaram, nos abusaram, aqueles que nos diminuíram, nos julgaram, nos abandonaram, nos amaldiçoaram, nos engaram, nos rejeitaram, e nós pedimos que Tu visites estas pessoas com a Tua Graça com o Teu amor e a Tua misericórdia e em nome de Jesus nós a abençoamos onde elas estiverem. Suplicamos que Tu derrames do teu perdão, da tua paz, da tua alegria. 
Que Tu lhes dê a oportunidade do arrependimento, que elas tenham os seus olhos abertos para o mal que fizeram, para o mal que fazem contra si mesmas, que elas sejam libertas, que sejam salvas, que sejam restauradas e que sejam abençoadas por Ti.
Pai te pedimos por nós mesmos, levanta os nossos rostos, sara as nossas feridas, ajuda-nos a reescrever as nossas memórias a olhar com outros olhos o nosso passado. 
Ajuda-nos ó Pai a refazer as nossas histórias, coloca-nos em pé novamente e sara, sara, cura com o Teu amor, com a ministração do Teu Espirito Santo. Venha sobre nós Espirito de Deus e promove, promove a cura, liberta da culpa, do peso do mal, do medo, liberta Senhor. É assim que nós te pedimos e agradecemos em nome de Jesus! Amém."

Seja livre desse fardo. Perdoe, 70x7 como Jesus nos ensinou. Não conheço pessoa que foi mais ofendida, agredida fisicamente como Ele. E mesmo assim nos perdoou.

Inté mais ler,
Anne Araújo




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