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quinta-feira, maio 28, 2015

Mais um Re-post do Fabrício Cunha - Só um descompasso

Estou ausente do blog já tem algum tempo, quero voltar mas falta-me inspiração, tenho a vontade porém faltam as palavras. E nesta falta vou me identificando em outros textos, textos que falam exatamente o que sinto. 
Espero que gostem.

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SÓ UM DESCOMPASSO

Acho fantástica essa gente que tem foco.
São determinados com um caminho, disciplinados com o tempo.

Uma beleza de gente.
Fico espantado e admirado em como vão longe.
Eu sou um desastre (quase) irreversível. O quase está entre parênteses porque uns dois ou três amigos ainda não desistiram de me ensinar algo nessas categorias. Se dependesse de mim, já era. Desisti tem um tempo.
Eu faço um monte de coisas ao mesmo tempo e acabo não fazendo quase nada. Tenho ideias dia sim, dia não. O dia não é porque passo o dia todo lendo, vendo coisas ou dormindo, daí não dá pra ter ideias.
Minha determinação é sempre corrompida por alguma pessoa mais determinada que eu ou mais necessitada. Se tem alguém que faz algo amando, eu paro pra ver, pra dar uma força ou ceder meu lugar. Daí interrompo meu caminho pra alguém continuar na trilha. Não é altruísmo não... É reconhecimento da determinação alheia. É encanto pela luta do outro. Sem mérito próprio.
E com o tempo então?! Como é impressionante quem o controla milimetricamente, quem coordena todas as ações, quem cumpre metas e objetivos dentro dos prazos especificados.
É aqui que me sinto mais vagabundo ainda.

Não resisto a uma conversa sem propósito, a uma mesa sem pretensão, a um novo amigo sem interesse. Esse desapego me atrapalha muito. Seria ótimo se as amizades fossem estratégicas e as mesas, degraus para se galgar algum lugar melhor. Mas eu não consigo. Sério. Não consigo. Se bem que esses dias eu gastei um tempão ficando amigo do cobrador e do motorista aqui da linha do bairro. Já fazia tempo que eu guardava esse objetivo. Imagina. Eles andam a cidade toda, o dia todo, conhecendo, ouvindo, vendo gente muito diferente. Pense no hangout de histórias de um dia só, que seja. Não resisti e estabeleci uma amizade interesseira. Além disso, ele pode me deixar 200 metros mais perto de meu destino, mesmo que não tenha ponto de ônibus. Dois interesses.

Numa sociedade tecnocrata, a falta de foco, disciplina rígida e organização rigorosa do tempo me jogam para a marginalidade, naturalmente. Não é que eles queiram ou que eu queira, mas ainda sou bastante humano. Um erro grave para os dias de hoje.

Não é mérito. Nem demérito, talvez. Só um descompasso.

Escrito por : Fabrício Cunha dos Santos.

Inté mais ler!
Anne Araújo

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