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terça-feira, abril 15, 2014

Compartilho: Vida sem marcas ou vida marcante, você que escolhe.

Me deparei com este texto e não resisti, decidi compartilhar, quem nunca se viu no lugar da Sophia ou por que não dizer que há muitas Sophias pelo mundo afora.

Boa leitura! Inté mais ler.

"Mundo estranho esse que construíram. Mundo onde uma pessoa não se revela a outra pessoa.
E quando alguém rompe essa barreira e enxerga o outro, o que foi descoberto fica em conflito. Acha bom, mas foge.
Pessoas tão inteligentes, estudam tanto pra quê? A razão da vida está em VIVER, se relacionar. E a maioria usa os estudos, o dinheiro, a tal "inteligência" para criar muros ao redor de si.
Mas é tudo tão maquiado, tudo tão bem arquitetado pelos fantasmas que nos prendem que fazemos isso sem ver. Vivemos anos com pessoas sem aprofundar, relacionamos sem nos entregarmos.
E acabamos por alimentar uma vida social sem ser social . E tudo muito bem justificado com termos até "inteligentes" (mas não honestos).
É nesse mundo que vivem Sofia e Pedro.
Pedro, um homem estudioso, disciplinado, cheio de metas, e belo como seu coração.
Sofia, uma mulher que, apesar de não saber muito das fórmulas de física ou química e não se apegar à regras gramaticais, se aprofundava em pensamentos e sentimentos. Lhe faltava disciplina, mas sobrava vontade. Cheia de sonhos.
Ser estudioso jamais será defeito, assim como ser disciplinado, ou ser cheia de sonhos. São apenas formas diferentes de se apresentar à vida. Mas qualquer coisa vira defeito quando se coloca entre você e outra pessoa; quando te faz mudar os valores sem que perceba, quando nos impede de olhar dentro do outro, olhar para o outro, e não pra você mesmo que se identifica dentro do outro.
Sofia e Pedro se conheceram, se amaram desde o primeiro instante.
Ela amava olhar pra Pedro e o enxergar por dentro. Não que ele permitisse, mas ela sempre foi atraída pela essência das pessoas, sempre gostou de olhar pra dentro.
Pedro a enxergava também, isso lhe era natural. Mas se assustou ao sentir-se nu. Essa nudez atrapalharia suas metas.Assim, escolheu o lado errado da vida. O lado da "não-vida". Desconectou-se de Sofia e ingressou na procissão do mundo, fria e indiferente.
Começou um novo relacionamento dentro dos paradigmas 'externos' . Entende?! Porque a fôrma interna, o coração dele era diferente, isso era dele, mas apesar de pertencer a ele, colocou-se de fora de si (eu sei, tá complicado).
Em muita coisa sua nova companheira lembrava Sofia (inclusive no tom de pele, cabelo, altura, gostos...). Uma substituta? Até quando? Até quando a emenda aguentaria? Até quando o disfarce (pra si) funcionaria?
Certo dia  ele confessou pra Sofia: -"Você me traz calma, desperta meu lado doce, me traz de volta pra quem sou... ".
Mas acho que ele confundiu "essência" com infância, e acreditou que amadurecer era SE abandonar, mudar quem sempre foi. Claro, atitudes mudam, planos mudam, mas coração?! Não deveria....
Pena que nesse mundo a maioria perde o coração (tem seu coração adulterado) mas nem percebe, e fazê-la enxergar não é uma tarefa fácil.

E nessa mudança, preferiu se ausentar de Sofia (e de si). Ele dizia que vê-la mexia com seu coração. Pra bom entendedor de alma, isso basta pra saber que se mexia é porque o amor era genuíno.

Numa conversa com um amigo Pedro foi questionado:
-Cara, eu não te entendo. Eu sei que isso é comum de acontecer, mas não é porque seja comum que é aceitável. Entende?!
-Hã?! Do que você está falando?
-Você ainda pensa em Sofia, ainda se nega a falar com ela... 
-Não viaja, cara...Tô quase me casando com outra pessoa que me faz muito bem e gosto muito.
-Legal... Mas não estou falando de gostar, estou falando de alguém que ocupa seu imaginário, suas hipóteses, seu íntimo mais profundo...onde a razão não explica.
-É verdade que eu penso em Sofia, ela tem o mesmo mundo interior que o meu e isso é uma raridade de achar...
-É, uma raridade que você está jogando fora...
-Não é isso...
-Não? O que é então?
-Ah...Suas perguntas estão me inquietando...
-Claro, estou levantando o tapete pra você ver o tanto de coisa que tem por baixo... Estou mexendo nos entulhos (bons e ruins) que encobrem seu coração...
-Eu já segui minha vida, ela seguiu a dela.
-Seguiram? O que é "seguir" a vida pra você? Cara, sentimento como esse de vocês não é fácil achar. Com certeza, surgirão outras feridas se vocês se assumirem. Sua atual companheira, o atual companheiro dela, inclusive você e Sofia vão sofrer um pouco com essa atitude (caso, tenham tal atitude de terminarem com os atuais e voltarem). É normal... Mas pense comigo, feridas cicatrizam e a vida continua, mas continuar no morno, ter uma vida sem ferida e pela metade é praticamente um aborto da plenitude da vida. Corra, sempre dá tempo de amar...."


Rê Marra

2 comentários:

  1. Anne pelo que descreve parece a ser um texto de um bom livro. De qualquer maneira é muito bom estive a ler mas li tudo o que não é muito fácil,dá a impressão que Sofia se sentia mais livre que Pedro.
    Tudo bom. Peregrino E Servo.

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