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terça-feira, maio 28, 2013

Facebook = voyeurismo ?

Texto readaptado. Eu havia publicado na época da febre do falecido Orkut. Então, só fiz alterar para o tão mais utilizado Facebook que tem tirado o sono de muita gente, que fica viciado,  passam horas no facebook, mas não fica nem meia hora orando, assim como eu era também viciada e fazia tudo isto e fui curada! Amém! Ah, não conheço o autor. Se alguém souber me avise, deixe um recado na caixa de mensagem logo no rodapé deste blog para que eu lhe dê os créditos. 

Vale apena ler!

"Tenho observado com mais critério, ultimamente, uma situação recorrente nos relacionamentos atuais.
É o desejo exagerado e a valorização equivocada que muita gente tem nutrido acerca da “transparência”.
Tenho ouvido várias pessoas afirmando categoricamente que preferem saber de tudo o que seus parceiros fazem, ainda que isso sirva sobretudo para dilacerar sua alma, destruir seu coração e pisotear sobre seus valores.
Isso sem falar do Facebook, um ‘site-vitrine’ exposto, por algumas pessoas, de modo leviano, e transformado num mundo de fantasias absurdas. E se não bastasse a construção diária de tamanha ilusão, milhares de pessoas se deixam influenciar por ela para fazer escolhas importantíssimas em sua vida!
É um novo e desastroso jeito de praticar o antigo voyeurismo – isto é, bisbilhotar o outro em sua intimidade.
Acontece que, originalmente, a idéia é olhar para (e sentir prazer pelo) o que existe de real, enquanto que pelo Facebook, o que se vê não é – definitivamente – real e, muito menos, tem proporcionado prazer.
E o que vemos, por fim, é o resultado de desejos enrustidos e tentativas ‘mortas’, mascaradas, carentes de coragem, verdade e força para se tornarem concretas. Claro que existem vantagens de se usar o Facebook (Ferramenta poderosa de evangelização), mas é preciso maturidade para usufruir delas!
Enfim, vivemos a era da transparência, mas nem sabemos o que isso significa e para quê serve.
Queremos saber da vida do outro sob a justificativa de que somos sinceros e desejamos reciprocidade, de que preferimos agüentar a dor da verdade a imaginar a hipótese de estarmos “sendo feito de bobos”.
O que é isso?!?
Desde quando estamos prontos para uma verdade que, no final das contas, nem existe?
Desde quando o humano é passível de tanta transparência?!?
Não sabemos nem de nós mesmos, o que dirá do outro!!!
Mudamos de idéia, pensamento e até de opinião o tempo todo e queremos que o outro nos passe relatório de seu mundo interior!!!
Como assim?
E depois não entendemos por que estamos tão neuróticos, tão depressivos, tão ansiosos, tão estressados...
Desejamos uma verdade sem nos darmos conta de que, para conhecê-la, precisamos antes investir em nosso amadurecimento, em nosso equilíbrio, na consciência superior de quem somos e o que temos para transparecer ao outro. Mas, não! Simplesmente almejamos a utópica sensação de poder, de controle, de manipulação acerca do futuro e da vida alheia... e o que conseguimos?
Frustração, decepção, brigas, cobranças, desentendimentos, rompimentos, lágrimas, ofensas, desrespeito e humilhações.
Não estou defendendo nenhuma das partes: nem a que constrói uma fantasia sob o rótulo de verdade e nem a que se corrói por descobri-la, como se acabasse de encontrar um mapa do ‘tesouro’.
Tudo o que temos encontrado, nestas buscas insanas e infantis, está mais para bomba-atômica do que para algo que se pareça com alguma verdade ou tesouro.
Sugiro que, antes de saber, querer saber ou perguntar a quem sabe sobre o quanto o outro tem sido sincero, transparente e verdadeiro conosco, consigamos responder a nós mesmos quais são as nossas verdades, o que temos feito para ser verdadeiramente transparentes.
Com que intensidade e por quanto tempo podemos manter um determinado sentimento, uma opinião ou uma circunstância...
E que todos nós, em alguma medida, seguindo o ritmo de nossa maturidade, percebamos que mais importante do que saber tudo sobre o outro é nos mantermos focados em nossas intenções, no desejo real de viver o que há para ser vivido... e a verdade do outro será apenas e tão somente uma natural consequência...
Que paremos, de uma vez por todas, de nos deixar influenciar por fantasias ou – pior – de investir tanto tempo construindo fantasias por conta própria, seja sobre nosso próprio mundo, seja sobre o mundo do outro.
Porque a transparência de fato não está no que ele diz ou faz, nunca! Está dentro de cada um; em cada uma das escolhas que fazemos a cada instante, e que tantas vezes nem percebemos...

Estarmos um pouco mais atentos às escolhas que temos feito e, assim, sabermos um pouco mais sobre nós mesmos, é o que realmente importa!"


Inté mais ler,
Anne Araújo

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